Os monges (e os repórteres) do Copan
Há quatro anos os monges budistas Busshinji sobem até o topo do edifício mais alto da cidade para meditar. Uma sexta-feira por mês, reúnem-se na entrada do bloco B do edifício Copan às 7h e sobem para o 34° andar, onde passam uma hora e meia concentrados na cidade abaixo deles. Não é o silêncio que buscam, mas a vibração e os ruídos da cidade, que o monge Jisho vê como uma bolha extremamente frágil.
Ainda bem que eles não vão atrás de sossego, pois qualquer um concordaria que a sessão de meditação dessa sexta-feira, 18, teve tudo menos silêncio completo. Duas equipes de TV, uma de agência de notícia, uma repórter de revista e nós, simples estudantes, tivemos a mesma ideia e subimos com os monges para acompanhar a sessão de meditação. Pauta boa é assim: todo mundo quer. E quando a chance só aparece uma vez por mês, não tem jeito. A solução foi dividir o tempo e a paciência dos três budistas, que tiveram como plateia quase quinze jornalistas, câmeras, assistentes, produtores e fotógrafos.
“Vocês são estudantes! Me façam uma pergunta diferente”, pediu o monge Jisho antes de falar com a gente, por último, após responder mais de uma vez sobre “os benefícios da prática da meditação”. Começamos pela razão de os monges virarem pauta para o SPolifônica: “Como é buscar o silêncio em São Paulo?” Foi aí que ele explicou que o que eles buscam ali não é o silêncio, e sim essa reunião dos sons, ruídos, murmúrios, e silêncios da cidade, todos em sintonia. “Ouvir a cidade de São Paulo é também ouvir esse lamento, esse sorriso, essa gargalhada, e perceber que ela é uma cidade de fala com a gente o tempo todo.” (Clique na foto para ampliar)



